Biografia PT

O interesse do Eugénio Rodrigues por compor iniciou, trabalhava ele como mecânico de automóveis, quando, com unhas cheias de óleo e dedos gretados, começou a ter aulas de piano e teoria musical.

Hoje, sobre as suas obras foi dito que são “de uma escrita rigorosa, fresca e desembaraçada das várias escolas” (James Manheim – Allmusic.com); “uma música que é ao mesmo tempo poderosamente rítmica e altamente lírica” (Ivan Moody – compositor / musicólogo); “as suas obras aproximam-se de uma estética que poderá ser considerada pós-minimalista, mas recusam o lado simplista, recorrendo a um universo rico de referências e manipulação elaborada dos materiais musicais” (Cristina Fernandes – Público).

Além das tradicionais salas de concerto e palcos, alguns dos seus trabalhos foram estreados nos mais variados locais: desde numa instituição correcional, numa igreja, numa escola primária e até mesmo num palco flutuante no rio Tejo. Ele tem escrito para crianças como ouvintes e como artistas, incluindo obras para criança soprano e orquestra de cordas, fontis amorum, para coro adulto e infantil, each minim mote, e uma ópera, que inclui crianças como intérpretes, oriana, com base no conto A Fada Oriana, de Sophia de Mello Breyner Andresen.

O seu interesse atual é em trabalhar com textos dramáticos e não dramáticos na composição de obras que possam ser realizadas não só em palco como noutros locais: jardins, praças, monumentos históricos, museus ou mesmo em cafés.

O Eugénio Rodrigues gosta de compor para dança e colaborou com os coreógrafos Fred Darsow, kicking up sand, oda al mar y otras odas, e cernicalo, e com Hillel Konan, tormenta e harmonia.

Das suas obras que foram galardoadas, destaca-se o Primeiro Prémio na Washington International Competition for Composers, pelo seu quarteto de cordas, mata hari.

Entre as organizações que apresentaram e encomendaram a sua música, estão o American Dance Festival, o Quarteto Arditti, o Quarteto Ciompi, The Chicago Ensemble, The Dale Warland Singers, The Ives Chamber Orchestra, The Minneapolis Vocal Consort, The New Jersey Percussion Ensemble, a Schola Cantorum de Oxford, o Coro Ricercare, o Quarteto Lacerda, o Quarteto Cheng e a Orquestra Nacional do Porto, entre outros.

O seu trabalho recebeu o generoso apoio da Jerome Foundation, do Meet the Composer, da Phillip Morris Company, do American Composers Forum, do National Endowment for the Arts, do The Pew Charitable Trusts, da Helen W. Buckner Trust e da Fundação Luso-Americana.

As suas obras têm sido tocadas na Europa e nos Estados Unidos, onde se incluem apresentações na Galeria Corcoran, em Washington DC, no Lincoln Center e na Kitchen, em Nova Iorque, e na Expo ’98, em Lisboa. A Companhia Nacional de Bailado encomendou e estreou o seu trabalho tormenta e harmonia. O Festival Cistermúsica, em Alcobaça, encomendou e estreou duas das suas obras: fontis amorum, para soprano e orquestra de cordas, com base no tema Inês de Castro e tágides, para banda sinfónica, com base num poema de Camões sobre as míticas ninfas do rio Tejo. O oboísta Andrew Swinnerton encomendou e estreou escape velocity durante os concertos de música de câmara da Fundação Gulbenkian.

Natural da Lousã, Eugénio Rodrigues começou a tocar acordeão, ainda jovem e, na adolescência, ao chegar aos Estados Unidos, fundou e dirigiu um grupo de música tradicional (Os Romeiros) que se apresentava em toda New England. Incentivado pelos seus professores, prosseguiu uma carreira em composição musical e estudou na Western Connecticut State University (-1989), Yale Summer School of Music (1990), Duke University (-1993) e no Koninklijk Conservatorium em Haia, na Holanda (-1994). Estudou com os compositores Richard Moryl, Howard Rovics, Martin Bresnick, Scott Lindroth e Louis Andriessen.

É membro da ASCAP e MCPS e tem obras gravadas pelas editoras Hyperion e Etcetera.